Vivi cerca
de uma semana em uma comunidade em que eu era uma completa desconhecida. Eu
poderia ser quem eu quisesse! Poderia de olhos fechados, pegar a primeira roupa
da mala e coloca-la. Poderia botar o cabelo pra cima e sair sem ao menos lavar
o rosto. Poderia lavar meu cabelo sem condicionador. Poderia andar na rua com
os ombros relaxados e dando passos pequenos ou largos. Poderia ser eu mesma, ou
muitas outras que também não deixariam de ser eu.
Ao acordar
pela manhã em um dos primeiros dias, levantei decidida. Sabia quem eu queria ser.
Lavei meu cabelo com condicionador, sequei a franja com secador, passei
chapinha, lavei meu rosto, passei maquiagem, botei uma combinação de roupa que
era agradável aos meus olhos e peguei meus óculos escuros (e não, eu não tenho
problema com a claridade). Sai na rua com a cabeça erguida e com a postura que
eu admiro. Mas eu era eu?
Refleti a
cerca de tantas palavras que a sociedade vivia botando em minha cabeça. “A
maquiagem esconde quem você é, mulher bonita não a usa.”, “Faz chapinha no
cabelo quem tem cabelo ruim e não quer mostrar isso pra ninguém.”, “Bota roupa
chamativa quem quer se reafirmar ante a sociedade.” Por algum momento, lamentei
tais palavras. Em um lugar que eu poderia ser quem eu quisesse, escolhi estar maquiada
e quis alisar minha franja, e isso não esconde quem eu sou e muito pelo
contrario, mostra mais de mim. Decidi estar com uma roupa que acho legal e com óculos
escuros, pois me faziam bem. Queria andar com postura mesmo com meus ombros
querendo cair, não porque eu queria mostrar pra sociedade que eu estou presa em
seus paradigmas de beleza, mas sim, que eu estou presa em meus paradigmas de
bem estar.
Ante a
tanta coisa que eu poderia ser, resolvi ser eu mesma. Naquele momento fui
autentica mesmo maquiada, com a franja lisa e arrumada. Não estava escondendo
de ninguém quem eu era, muito pelo contrario, estava de forma muito mais
verdadeira mostrando para todos a verdadeira e original Mayara.
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