Ame

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sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Mini mim

Impossível conhecê-la por completo, nem ela mesma conseguiu tal proeza. Não consigo nem de longe explicar como ela é, pois ela não se parece com nenhum outro ser vivente. Ela é bem original e recusa qualquer tipo de imitação.
Completamente mutável, mas em nenhum momento perdeu seus princípios. Esconde uma confusão atrás de uma pele clara. Parece ser uma pessoa decidida, objetiva e direta, mas é só conhecê-la um pouco mais pra perceber seus conflitos. Por vezes, ela se olha no espelho tentando visualizar o que quer, porém isso não vale de nada. Ela sorri demais, suas incertezas a tornaram ela. Nunca gostou de coisas fácies de serem entendidas e sempre se deliciou com problemas de difícil interpretação.
Se não fosse tão confusa, seria sem graça. Ela tampa o que quer e fala o que não quer, mas é só dar uma pequena brecha que ela solta tudo o que deseja. Ela sou eu, e as vezes eu não sou ela.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Um casulo aguado


Minhas lágrimas são pedaços que deixo para trás. Sinto-me inquieta até o momento em que elas saem. Choro cenas que não gostaria de ter presenciado. Choro palavras que não queria ter ouvido. Choro a indiferença que não gostaria de ter recebido. Choro com a falta de quem não está mais perto. 
Enquanto as lágrimas saem, meu coração arde. Sinto que é o meu ser se desprendendo de coisas que não me agradam. É um momento em que todas as palavras me faltam e eu só falo com o silêncio. Há problemas que requerem muitas lágrimas e há outros que se contentam com poucas.
Depois que choro, acabou. Aquelas palavras e cenas não me pertencem mais. Fico livre de toda angustia e toda ardência do meu coração se transforma em sopro. Respiro suspirando. Sou capaz de dar boas risadas enquanto meu rosto ainda está molhado. Fico leve e tenho vontade de sair pelo mundo exibindo meu sorriso.  
Em mim, as lágrimas significam o perdão para mim mesma e para as pessoas que não tem intenção de me magoar. Livro-me de pedaços que fizeram parte de mim e que são desnecessários. Passo por metamorfoses constantes. Há dias em que sou lagarta, mas na maioria deles, sou borboleta. Minha sensibilidade não aguenta o peso da lagarta por muito tempo. 

domingo, 26 de maio de 2013

Não quero deixar minhas pétalas pelo chão


Sou uma coisa muito indefesa. Já senti frio nas noites de brisa e não tive o que me aquecer. Já senti medo de situações perversas e não tive a quem recorrer. Já deixei que me protegessem, mas me dei mal, tacaram-me no chão esquecendo-me ao relento. Sou bem fraca, mas eu sei me desviar e correr dos que querem roubar minhas pétalas. Sou mulher. Sou flor. Sou frágil. Sou inocente, mas desconfiada.
Vejo em muitas mãos, pétalas alheias. Vidas vividas pela metade, amores com limites e paixões com razões. Vivo em um lugar onde se permitir é não permitir. Avisto pessoas passando de jardim em jardim e colhendo uma pétala de cada flor, como se algum dia a junção de todas elas fosse dar um inteira.
Olho pra mim e vejo minhas pétalas. Algumas delas ficaram pra trás, umas ao chão, umas em solas de sapatos e outras devem estar voando por ai. Porém, as que sobraram, estão firmes e bonitas. Estou cuidando delas pra não serem mais arrancadas. Não quero mais dar pétalas de mim a ninguém. Quero dar uma flor inteira pra ser regada.
Um solitário busca loucamente sempre algo que o complete e às vezes essa procura é tão desesperadora que parece que tendo um pouquinho de cada, se têm tudo. Para uma flor, não há nada melhor do que ser protegida e cuidada por alguém que queira estar inteiramente ali, e para quem protege, não há nada melhor do que saber que sua flor está completa e que ali não são apenas pedaços. Por isso, cuide de um jardim, ou senão só terás pétalas aos seus pés. 

sábado, 25 de maio de 2013

Um mundo sem amigos



               Ela acordou no silêncio. Ficou um tempo sem emitir som para ver se poderia escutar alguma respiração alheia, mas foi em vão, não havia ninguém. Levantou-se e ligou o som, o seu companheiro vazio, para tentar quebrar um pouco daquele ambiente inóspito. Arrumou-se pra mais uma longa jornada e saiu mundo a fora como se fosse corajosa. Percebeu que no ônibus, atrás dos seus fones de ouvido, ela não era ninguém. Ninguém a notou, ninguém se quer esbarrou nela.
Chegando à faculdade sem um “Bom dia” ou um “Tudo bem?”, sentou-se no primeiro lugar que viu, não ficava muito tempo em pé pois tinha medo que alguém percebesse sua presença. Professores iam e vinham, mas ninguém a olhava nos olhos, parecia que ela nem ali estava. O almoço chegou e mais uma vez fez tudo com muita pressa pra ninguém notar que ela almoça sozinha por não haver companhia. Sem muita demora, partiu para o trabalho, lugar onde sabia que falaria suas primeiras palavras do dia.
O tempo passava muito devagar enquanto ela ia atendendo pessoas com duvidas. Alunos perguntavam sobre as duvidas e ela respondia sobre as duvidas, nada mais. Sem conversas paralelas ou transversais. Por vezes desviava seus olhos e podia avistar risos e olhares felizes entre conversas dos seus colegas de trabalhos. Invejava os algumas vezes.
Acabado o expediente, voltou para o silencio do seu lar. Começou a conversar com o espelho, como de costume, a conversa que gostaria de ter com aquele menino bonito. Ela riu e desviou o olhar pra não encara-lo muito, mas mais uma vez ele não a respondeu. Ligou o som e cantou alto musica que gostaria de um dia cantar para alguma pessoa. E quando a musica acabou,  parou de respirar pra mais uma vez tentar escutar ao menos a respiração de alguém, qualquer que seja esse alguém. Contudo, foi em vão.
Uma vida dessas, uma vida sem sal, uma vida sem graça, uma vida igual a dela, eu não desejaria nem pro meu pior inimigo. Mas que inimigo? No meu mundo não há. Vivo uma vida corrida e cheia. Muita coisa já me faltou, mas nunca me faltaram amigos. Sou agraciada e o meu mundo é deles, dos amigos. Acordo sozinha, escuto minhas musicas, falo com o espelho e canto musicas que gostaria de cantar um dia pra alguém. Todavia, falo com olhares, tenho conversas reais, recebo abraços, sorrio junto e sou cuidada por muitos. Como ela, fico em silencio por alguns segundos pra ver se escuto a respiração de alguém, não escuto, mas não é em vão. No silencio, ouço meus pensamentos e os meus pensamentos estão acompanhados, estão sorrindo e estão repletos de amigos.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Medrosa

Eu escondo um medo. Um medo tão bem escondido que por tempos escondi de mim mesma.
 Controlo meu tom de voz, controlo as palavras que penso, controlo as mensagens que mando e controlo os relacionamentos que tenho. Tenho medo ser muito e tenho medo de ser pouco. Tenho medo de exagerar e tenho medo de deixar faltar. Tenho medo de falar, mas acho que tenho mais medo de ignorar.Todos os medos que escondo e deixo transparecer, deságuam em um oceano que eu carrego, o medo de amar. 
Acho que tudo está sempre relacionado a quem eu sou. Não sei se posso ser eu por completo, pois não sei até que ponto o Meu Eu está disposto a ir. Esse Meu Eu é inconsequente, ele esqueceu o quanto já sofri. Por isso, as vezes deixo ele de lado e me forço a fazer coisas que diminuem a velocidade e a intensidade das coisas. E é exatamente nesse ponto onde mora toda a contradição. O Meu Eu quer ser muito, mas eu o faço ser pouco. O Meu Eu quer falar coisas demais, mas eu consigo segurar minhas mãos e minhas palavras.  Eu me boicoto e não sei até que ponto estou certa.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Razões pra eu não ser eu e continuar sendo eu


          Vivi cerca de uma semana em uma comunidade em que eu era uma completa desconhecida. Eu poderia ser quem eu quisesse! Poderia de olhos fechados, pegar a primeira roupa da mala e coloca-la. Poderia botar o cabelo pra cima e sair sem ao menos lavar o rosto. Poderia lavar meu cabelo sem condicionador. Poderia andar na rua com os ombros relaxados e dando passos pequenos ou largos. Poderia ser eu mesma, ou muitas outras que também não deixariam de ser eu.
          Ao acordar pela manhã em um dos primeiros dias, levantei decidida. Sabia quem eu queria ser. Lavei meu cabelo com condicionador, sequei a franja com secador, passei chapinha, lavei meu rosto, passei maquiagem, botei uma combinação de roupa que era agradável aos meus olhos e peguei meus óculos escuros (e não, eu não tenho problema com a claridade). Sai na rua com a cabeça erguida e com a postura que eu admiro.  Mas eu era eu?
          Refleti a cerca de tantas palavras que a sociedade vivia botando em minha cabeça. “A maquiagem esconde quem você é, mulher bonita não a usa.”, “Faz chapinha no cabelo quem tem cabelo ruim e não quer mostrar isso pra ninguém.”, “Bota roupa chamativa quem quer se reafirmar ante a sociedade.” Por algum momento, lamentei tais palavras. Em um lugar que eu poderia ser quem eu quisesse, escolhi estar maquiada e quis alisar minha franja, e isso não esconde quem eu sou e muito pelo contrario, mostra mais de mim. Decidi estar com uma roupa que acho legal e com óculos escuros, pois me faziam bem. Queria andar com postura mesmo com meus ombros querendo cair, não porque eu queria mostrar pra sociedade que eu estou presa em seus paradigmas de beleza, mas sim, que eu estou presa em meus paradigmas de bem estar.
           Ante a tanta coisa que eu poderia ser, resolvi ser eu mesma. Naquele momento fui autentica mesmo maquiada, com a franja lisa e arrumada. Não estava escondendo de ninguém quem eu era, muito pelo contrario, estava de forma muito mais verdadeira mostrando para todos a verdadeira e original Mayara. 

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Icógnita



Há tempo não escrevo, pois faz muito tempo que faltou-me a inspiração. Sou uma criança nas letras e textos, mas sou feliz pois fui alfabetizada por um amor e uma paixão que me fizeram produzir e aprender. 
Hoje, voltei pois não busco mais inspiração na paixão que ainda não retornou! Busco inspiração na amizade e principalmente no divino. Não sei porque estou publicando isso, se não quero ser vista. Mas a possibidade de as vezes ser espiada, me fascina! Tenho medo de escrever pois descubro coisas que nem sabia e acabo me conhecendo melhor. E isso nem sempre é bom.
O que sou hoje? Ainda não estou conseguindo ver!