Minhas lágrimas
são pedaços que deixo para trás. Sinto-me inquieta até o momento em que elas
saem. Choro cenas que não gostaria de ter presenciado. Choro palavras que não
queria ter ouvido. Choro a indiferença que não gostaria de ter recebido. Choro
com a falta de quem não está mais perto.
Enquanto as lágrimas saem, meu coração
arde. Sinto que é o meu ser se desprendendo de coisas que não me agradam. É um
momento em que todas as palavras me faltam e eu só falo com o silêncio. Há
problemas que requerem muitas lágrimas e há outros que se contentam com poucas.
Depois que
choro, acabou. Aquelas palavras e cenas não me pertencem mais. Fico livre de
toda angustia e toda ardência do meu coração se transforma em sopro. Respiro
suspirando. Sou capaz de dar boas risadas enquanto meu rosto ainda está
molhado. Fico leve e tenho vontade de sair pelo mundo exibindo meu sorriso.
Em mim, as lágrimas
significam o perdão para mim mesma e para as pessoas que não tem intenção de me
magoar. Livro-me de pedaços que fizeram parte de mim e que são desnecessários. Passo por metamorfoses constantes. Há dias em que sou lagarta, mas na
maioria deles, sou borboleta. Minha sensibilidade não aguenta o peso da lagarta
por muito tempo.
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