Ame

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terça-feira, 18 de junho de 2013

Um casulo aguado


Minhas lágrimas são pedaços que deixo para trás. Sinto-me inquieta até o momento em que elas saem. Choro cenas que não gostaria de ter presenciado. Choro palavras que não queria ter ouvido. Choro a indiferença que não gostaria de ter recebido. Choro com a falta de quem não está mais perto. 
Enquanto as lágrimas saem, meu coração arde. Sinto que é o meu ser se desprendendo de coisas que não me agradam. É um momento em que todas as palavras me faltam e eu só falo com o silêncio. Há problemas que requerem muitas lágrimas e há outros que se contentam com poucas.
Depois que choro, acabou. Aquelas palavras e cenas não me pertencem mais. Fico livre de toda angustia e toda ardência do meu coração se transforma em sopro. Respiro suspirando. Sou capaz de dar boas risadas enquanto meu rosto ainda está molhado. Fico leve e tenho vontade de sair pelo mundo exibindo meu sorriso.  
Em mim, as lágrimas significam o perdão para mim mesma e para as pessoas que não tem intenção de me magoar. Livro-me de pedaços que fizeram parte de mim e que são desnecessários. Passo por metamorfoses constantes. Há dias em que sou lagarta, mas na maioria deles, sou borboleta. Minha sensibilidade não aguenta o peso da lagarta por muito tempo. 

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